descrição

Trata-se de um edifício de estrutura Pós-Pombalina, constituído por rés do chão, 6 andares e sótão. As suas fachadas têm a composição característica dos edifícios Pós-Pombalinos ou Neoclássicos, identificável pela existência de uma varanda corrida (para a Rua do Alecrim), pelo alinhamento em prumada vertical dos vãos e cantarias e pelas guardas em ferro fundido.

O último piso, atípico desta tipologia, é o resultado de uma intervenção posterior em que foram demolidas a platibanda e cobertura originais

A última ocupação dos piso superiores foi de serviços e encontrava-se devoluto à décadas. Os pisos 1 e 2 também ocupados com escritórios ficaram desocupados antes do início das obras.

A intervenção no edifício é efetuada essencialmente nos pisos acima do R/C o qual se mantem em funcionamento. Nestes pisos propõem-se alterações no interior, adaptando o edifício ao uso habitacional e comercial em parte dos pisos 1 e 2.

Ao nível das fachadas e da área de saguão, a intervenção é feita na totalidade do edifício, pretendendo qualificar e preservar a sua imagem e as suas características.

 

Das questões construtivas

Com base na solução desenvolvida, com uma ocupação maioritária de carácter habitacional e atendendo às patologias existentes, nomeadamente grandes deformações dos pavimentos, fendilhação das paredes e perda de continuidade dos elementos resistentes verticais interiores, conclui-se da necessidade de uma intervenção ao nível da estrutura vertical. Assim, os dois pisos superiores, serão suportados pela estrutura metálica que realizará a cobertura. Sendo necessário redesenhar o atual telhado, para permitir a realização dos fogos duplex, aproveita-se este facto para projetar uma nova estrutura metálica da cobertura, em asnas metálicas, que suportará os pisos 6 e 7. No caso do piso 6 este será suspenso das asnas da estrutura da cobertura e o piso 7, apoiará nas linhas das asnas referidas. Assim as cargas destes dois pisos são transferidas integralmente para as paredes exteriores do edifício, que apresentam uma constituição que permite suportar com segurança estas cargas. Com este procedimento não serão introduzidas novas cargas nas estruturas interiores do edifício, nas quais as várias intervenções anteriores mais alterações introduziram, permitindo manter o nível de carga atual. Acresce a realização de reforços de elementos estruturais ao nível dos pisos 1 a 5, onde a intervenção será de molde a se manterem as paredes resistentes existentes, prevendo-se o seu reforço com a introdução de novas paredes ou troços de paredes em estrutura de madeira do tipo gaiola pombalina, que contraventem estes pisos às paredes exteriores, melhorando o travamento e a rigidez horizontal da estrutura sem acréscimo de peso próprio. Neste piso com ligação ao inferior estão previstas duas novas escadas, uma para um fogo de habitação outra para o comércio a implantar no piso 1.

Quanto às paredes da periferia exterior do edifício encontram-se em bom estado de conservação, sendo mantidas nas actuais condições.

Ao nível dos pavimentos estes serão mantidos no geral, procedendo-se a substituição integral das zonas degradadas, nomeadamente nas áreas junto à fachada virada a norte, e junto a algumas instalações sanitárias.

 

Da utilização

Habitação

A solução encontrada para a organização espacial do interior do edifício teve como objetivo a existência de tipologias T1, T2 e T3 nos pisos 1, 2, 3, 4 e 5, de tipologias T3 duplex nos pisos 6 e sótão e T2 duplex nos pisos 1 e 2. Propõem-se assim um total de 15 frações de habitação: Piso 1/2 - 1 T2 duplex; Piso 3 - 3 T2 + 1 T1; Piso 4 - 3 T2 + 1 T1; Piso 5 - 2 T2 + 1 T3; Piso 6/7 - 2 T3 duplex + 1 T3.

O acesso a cada piso de habitação será feito através da escada entre o piso 2 e 6 e do elevador existente no saguão.

Comércio

Piso 0, 1 e 2

Ao nível destes pisos é proposta a reconfiguração do saguão, corrigindo a volumetria e a composição dos corpos que foram sendo acrescentados ao longo do tempo, enquadrando-os na lógica dos pisos superiores.

No piso 0 como referido não existirá qualquer intervenção.

No piso 1, para além da zona ocupada com o piso inferior do apartamento duplex, prevê-se a ocupação do espaço com um equipamento de restauração. Este terá acesso pela escada principal que liga este nível com a Rua de São Paulo e terá acesso de serviço através da nova escada que ligará diretamente à Rua do Ferragial.

No piso 2 serão implantados dois espaços comerciais independentes com frente para a rua do Alecrim.

 

Outros aspetos da solução

As principais alterações do edifício são operadas no nível do piso 7.

A criação deste piso para o uso habitacional implicou a transformação da cobertura, garantindo as condições mínimas de pé-direito e de iluminação e ventilação (criação de trapeiras – existentes no telhado original).

As características estruturais da cobertura obrigaram à manutenção da sua forma, sendo apenas alterada a sua inclinação, aumentando o pé-direito para as dimensões mínimas estabelecidas pelo Regulamento Geral das Edificações Urbanas.

A este nível situam-se apenas os quartos e as instalações sanitárias das tipologias T3 duplex. Todos os quartos são iluminados e ventilados através de vãos colocados nos volumes das trapeiras, associadas a pequenos terraços entre estas e o beirado. O posicionamento das trapeiras pretende dialogar com a métrica dos vãos do edifício, encontrando-se no seu alinhamento vertical. Para estes elementos optou-se por uma estrutura metálica revestida a zinco, pelo exterior e a gesso cartonado, pelo interior, mantendo a lógica de estrutural dos edifícios pombalinos.

As instalações sanitárias e dois dos quartos são também iluminados por dois vãos (agora acrescentados) abertos para o saguão, no alinhamento dos vãos existentes nos pisos inferiores.

A casa das máquinas do elevador existente neste piso, é eliminada, uma vez que se optou por um sistema de elevador que não o exige.

No volume da escada é criada uma zona técnica ventilada para colocação dos aparelhos de ar condicionado. Este volume, que neste piso ultrapassa a linha da cumeeira, é reformulado diminuindo a altura total do edifício e aumentando a área de cobertura com telha.

O aumento da inclinação do telhado, previsto nos termos das alíneas c) e d) do artigo 32º do Regulamento do Plano Director Municipal, não vem descaracterizar o aspeto do telhado, nem a configuração da rua, uma vez que alguns dos edifícios contíguos apresentam coberturas com inclinações superiores. Esta intervenção pretende regular e clarificar a volumetria existente.

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Edifício de Habitação eComércio - "Rosemary22"

Reabilitação de edifício na Rua do Alecrim 22

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