Construído em 1908 com projeto do Arq. Arnaldo Redondo Adães Bermudes, tendo-lhe sido atribuído o Prémio Valmor desse ano.

Desenvolvendo-se em quatro pisos, trata-se de um imóvel com dupla função, comercial no piso térreo e intermédio e residencial nos três restantes.

 “Obra do arquitecto revivalista Adães Bermudes, a sua construção remonta a 1908. Trata-se de um edificio que congrega em si diversos elementos estilisticos, resultando o todo num ecletismo arquitectónico ao qual foi, por isso, atribuído o Prémio Valmor no mesmo ano da sua edificação. 
Esta construção de quatro pisos, estrutura-se em planta longitudinal, que termina num corpo semi circular, coroado por uma cúpula. Em ambas as fachadas do edificio encontramos um revestimento azulejar polícromo, preenchido por pavões e motivos florais, ao nivel do tímpano dos frontões. À procura de uma linguagem decorativa Arte Nova nos azulejos e na malha sinuosa do ferro forjado, alia-se um sabor neo-barroco, patente na cúpula do edificio e nos seus ornatos.”
(patrimoniocultural)

- A CONSTRUÇÃO ANTES DE REABILITAÇÃO

O edifício apresenta uma boa construção geral. O sistema construtivo inicial mantem-se quase intacto, e será a reabilitar e manter:

Tem uma estrutura metálica integral, com pilares e vigas, até ao 2º andar, sendo o terceiro piso em construção simples de paredes de alvenaria portante.

Esta estrutura metálica é preenchida com paredes de alvenaria de tijolo furado a uma vez, rebocadas com argamassas de cal. Os pavimentos são em lajes de abobadilhas e vigotas metálicas, revestidas com soalho, até ao 1º andar, sendo que a partir daí os espaços entre as vigas estruturais são preenchidos com barrotes de madeira e revestidos com soalhos no mesmo material.

O edifício apresentava um nível de degradação interior devido a inúmeras infiltrações pela cobertura, pelo que a sua reconstrução constituiu a 1º fase de intervenção.

O piso intermédio, integrado na zona comercial do R/C, que inicialmente se abria em galeria sobre o R/C, com pé direito duplo foi, ao longo dos anos, fechado na sua quase totalidade.

Os pisos superiores estavam também muito degradados e adulterados por introdução de divisórias e tabiques de muito baixa qualidade.

- PROGRAMA

O programa definido para o edifício é a reabilitação e instalação de um hotel na totalidade do seu espaço. Incluirá a reabilitação de todos os espaços, com cerca de 401 m2 por piso num total aproximado de 1700 m2 de área útil.

Assim, o R/C e o piso intermédio atualmente afetos a comércio indiscriminado serão destinados à receção do Hotel, um espaço de restauração no gaveto, um bar e café com explanada do lado do largo do Intendente, e no espaço restante as áreas de serviço.

Os pisos superiores serão destinados aos 33 quartos, dotados das correspondentes instalações Sanitárias.

- A INTERVENÇÃO

A intervenção nas fachadas incidiu na globalidade dos elementos constituintes, pretendendo-se preservar e requalificar a sua imagem e as suas características originais.

A caixilharia, elemento das fachadas mais adulterado, mereceu especial atenção na intervenção, pois a imagem do edifício passa indiscutivelmente pelo desenho e composição deste elemento.

Com base na solução proposta, com uma ocupação de hoteleira para a totalidade do edifício, foram refeitos todos os caixilhos, em madeira, de acordo com o desenho do projeto original do edifício.

A forma da cobertura será mantida, tanto estruturalmente como a inclinação e tipo de telha. A cúpula e restantes elementos em zinco são integralmente substituídos por iguais mantendo-se também aqui o desenho do projeto inicial.

A alteração de uso habitacional para o uso hoteleiro implicou a transformação de algumas zonas da cobertura:

- Uma na zona Norte, encostada à empena do Prédio confinante e que permitirá a colocação de equipamento de AVAC que terá de ficar exterior.

- Outra criando um espaço coberto entre as duas águas da cobertura, na zona central (sul), com uma cobertura quase plana, em camarinha de zinco.

Estas alterações ficarão entre as duas águas e não serão visíveis do exterior.

É feita também a alteração na claraboia da escada, onde se repôs a claraboia igual à do projeto original do Arquiteto Adães Bermudes, que permite que a escada dê acesso ao espaço em sótão.

– ASPETOS CONSTRUTIVOS

São preservados os sistemas construtivos originais do edifício, e tanto quanto possível foram corrigidas todas as intervenções que têm vindo a abastardar o imóvel ao longo dos anos.

Quanto às paredes da periferia exterior do edifício encontram-se em bom estado de conservação, sendo mantidas nas atuais condições nos pisos superiores e repostos na sua traça original nas zonas comerciais, mais alteradas.

Ao nível dos pavimentos são mantidos no geral, procedendo-se à substituição integral das zonas degradadas, nomeadamente nas áreas junto às fachadas, e no local de algumas antigas instalações sanitárias.

As intervenções de paredes novas a colocar serão paredes ligeiras de gesso cartonado duplo e todos os pavimentos, tetos e paredes serão tratados, tendo em consideração as necessidades de proteções térmicas e acústicas adequadas às novas funcionalidades.

O elevador é implantado no saguão utilizando os vãos existentes para os acessos, por forma a não danificar a estrutura do edifício e colocar o mínimo de cargas adicionais.

Pretende-se assim evitar intervenções muito intrusivas ao nível construtivo procurando manter o equilíbrio original do edifício.

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