Polis Ria Formosa - Faro - PMA
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Polis Ria Formosa – Faro

Sociedade Polis Litoral Ria Formosa

 

A intervenção tem como conceito base conceber um espaço que permita o estreitamento da relação entre as pessoas que utilizam este parque e o espaço ria, proporcionar a sua vivência segura e a sua aprendizagem através da criação de espaços e percursos que garantam o contacto dos utilizadores com esta paisagem singular, permitindo a descoberta das diferentes facetas que a caraterizam e fomentando a sua valorização paisagística, ao mesmo tempo que chama a atenção para as atividades económicas tradicionais que aqui se desenvolvem.
A Ecovia do Litoral tem neste espaço um papel estruturante já que atravessa toda a área e representa o acesso mais importante ao parque, quer de bicicleta ou a pé, quer de automóvel (troço nordeste, até ao ecomuseu do Sal). A partir deste eixo desenvolve-se o sistema de percursos do parque.
Enquanto o objetivo dos percursos principais é o fácil e rápido acesso aos pontos mais importantes da área de intervenção, os secundários têm por função permitir a deambulação pelo espaço, contactando com as diferentes espacialidades e sensações que este pode oferecer – ou exploram a compartimentação agrícola, ou atravessam uma clareira no seu limite, à sombra da orla arbórea, ou sobem ainda aos pontos dominantes deste espaço, permitindo o acesso a vistas panorâmicas.
Existe um tipo de percursos, a que chamaremos “trilhos de observação”, que assumem um papel importante pelo seu carácter didático e pelos espaços que atravessam, salientando não só os valores naturais que aqui existem como também os patrimoniais (por exemplo, o Moinho dos Penteados e as próprias salinas).
Em pontos-chave aparecerão pequenos alargamentos que constituem não só áreas de descanso mas principalmente pontos de observação, orientados para os diferentes habitats e ecossistemas atravessados.
A área de salinas, as linhas de drenagem natural e braço de ria inseridos dentro do limite de intervenção, toda a área de sapal e limite de contacto com a ria, definem uma compartimentação natural do espaço, que se propõe reforçar através da conservação e recuperação das galerias ripícolas e das margens de proteção dos sistemas.
Com a passagem dos edifícios para o uso público a proposta é de uma utilização e aproveitamento para funcionalidades intimamente ligadas ao Parque Ribeirinho e seus utentes e a atividades desenvolvidas na ria.
Assim, a reabilitação das várias Noras existentes ao longo do Parque Ribeirinho lembrando as influências árabes na cultura e costumes algarvios, bem como a secular agricultura de subsistência que alimentava grande parte da população será um contributo para a aproximação dos visitantes a esta vertente. Estes edifícios serão reabilitados tendo em consideração os novos usos e valências propostas no âmbito do parque ribeirinho.
O primeiro edifício, por estar mais perto de uma das zonas mais francas de transposição da linha de comboio e portanto, do acesso ao parque, a sua reabilitação será feita tendo em vista uma utilização como receção e posto de informações aos utentes do parque e apoio à vigilância.
O segundo será destinado a equipamento de cafetaria ou restauração com vertente de, por exemplo, promoção de artigos regionais. Na área fronteira a este é criada uma zona para esplanada.
O terceiro será para exploração de centro desportivo que proporcione, por exemplo, o aluguer de bicicletas, passeios fluviais ou outros, no sentido da criação de atrativos e apoio aos visitantes.
A vegetação assumirá um papel fundamental na composição deste espaço visto que, associada a pequenas modelações de terreno, permitirá criar volumes que contrastem com as superfícies de revestimento herbáceo, criando assim uma maior dinâmica espacial, onde a cor e as texturas tenderão a criar cenários mais atrativos ao utilizador.
As Salinas e o Sal são uma atividade em que se cruzam múltiplos aspetos: históricos, etnográficos, paisagísticos, ambientais e económicos, e que devem ser explorados de forma integrada.
Aqui procura-se dar condições para que as salinas funcionem também como área de formação para novos marnotos, como centro interpretativo e laboratorial para diversos estudos de biodiversidade do seu ecossistema-tipo, e como unidade didática de lazer e de interatividade fruída pelos diversos públicos que visitarão este espaço tão singular e caraterístico.
Também a proximidade do que resta do Moinho de maré dos Penteados transforma este conjunto num local de grande interesse interpretativo do parque.
A proposta é a de reabilitação do edifício do armazém e do edifício fronteiro, com reconversão total para aí instalar o Ecomuseu do Sal. Este conjunto museológico estaria integrado nas estruturas museológicas existentes, funcionando como extensão do Museu de Faro.
O Ecomuseu ficará diretamente ligado aos trilhos interpretativos, às salinas e ao que resta do moinho de maré dos penteados que se pretende consolidar e preservar como memória das atividades que outrora se desenvolviam na zona.
Na envolvente deste edificado é criado um espaço exterior, ligado ao museu, pavimentado e com ligações pedonais aos trilhos interpretativos da zona das salinas – Trilhos Interpretativos do Sal.

Neste núcleo, tendo em consideração a manutenção do uso predominante de habitação, o qual em muitos casos ainda com ligações a atividades piscatórias, a proposta passa pela intervenção ao nível do espaço público envolvente com total redefinição e reestruturação, incluindo intervenções ao nível dos pavimentos, vegetação, iluminação, mobiliário urbano, estacionamento automóvel, acessibilidades, etc. No edificado, uma vez que o conjunto apresenta em termos cronológicos da construção e da qualidade arquitetónica uma heterogeneidade significativa, propõe-se a reabilitação geral das fachadas associada com pequenas intervenções para retirada e substituição dos elementos dissonantes mais contrastantes.
Como reestruturação do espaço público propõe-se a introdução de uma área pavimentada que faz a ligação entre todos os elementos que constituem este conjunto de edificado, permitindo uma circulação livre por todo o espaço. Para além das árvores que proporcionam sombra e enquadram o conjunto, propõem-se a introdução de uma área relvada, integrada no desenho de pavimento, que permite alguma estadia, com vista sobre a Ria e proporciona um espaço de recreio com uma possível área direcionada para o recreio infantil.
Tratando-se o Parque de Montenegro de uma das principais entradas do parque ribeirinho de Faro (entrada principal da fase II), propõe-se a criação de um núcleo de receção e informações, sendo para isso feita a passagem para uso público de um pequeno edifício recuado que se encontra em estado avançado de degradação. Este será integrado no parque e reabilitado.
A partir desta área de receção é possível ter-se a perceção da quantidade de valores que o Parque Ribeirinho de Faro detém. Contíguo ao Parque de Montenegro será possível avistar a paisagem esplendorosa da Ria Formosa, das áreas de sapal, bem como dos talhões de cultivo das diversas Quintas – áreas que promovem e consolidam a diversidade desta paisagem protegida.

Em coautoria com PB.ARQ

Promotor: Sociedade Polis Litoral Ria Formosa

Localização:

Faro – Algarve

Projeto:

Concurso – 2009

Programa:

Plano de requalificação de espaços ribeirinhos , parques  públicos e percursos pedonais.

Parque público dividido em duas fases de relação da cidade com a Ria Formosa.

Equipa:

Arquitetura

– João Cottinelli Telmo Pardal Monteiro – Arquiteto

– Manuel Cottinelli Telmo Pardal Monteiro – Arquiteto

– António Pedro Batista Pardal Monteiro – Arquiteto

– Sónia Machado Mendes – Arquiteta

– Pedro Cunha – Arquiteto

– Maria Russo – Arquiteta estagiária

Paisagismo

– PB.ARQ – Arquitetura Paisagista

Category

CONCURSOS