Polis Ria Formosa - Fuseta - PMA
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Polis Ria Formosa – Fuseta

Sociedade Polis Litoral Ria Formosa

 

A área de intervenção correspondente à Fuseta-Ria constitui uma importante zona de transição entre a frente urbana da Fuseta e o espaço ria, que inclui o areal da praia e todas as zonas que ficam submersas com a maré-cheia, sobejamente conhecidas pela riqueza e diversidade biológica que contêm. Assim, e tal como o plano de praia preconiza, pretende-se para a área de intervenção um espaço público de qualidade, devidamente equipado para usufruto da população.
Verificou-se que este espaço foi sujeito a uma intervenção recente cujos critérios funcionais obedecem ao disposto no Plano de Praia pelo que a intervenção que se propõem agora fazer será apenas ao nível da colmatação de algumas falhas relativamente ao estabelecido no plano, nomeadamente no que diz respeito aos apoios de praia previstos, e que são inexistentes atualmente.
Em todo o restante espaço, propõem-se, por forma a manter ou revitalizar o espaço, uma análise cuidada da área, da qual resultará a substituição de materiais e mobiliário degradados, quando tal se verifique necessário (como é o caso dos passadiços de acesso à praia sobre a duna) e a substituição e reforço de alguma vegetação arbórea e arbustiva que se encontre em mau estado ou em falta.
Ainda ao nível da intervenção que se pretende agora fazer, observou-se a necessidade de criar um passadiço que ligue o sistema de passadiços existente ao antigo Instituto de Socorros a Náufragos – o Passadiço da Ria. Tal como acontece na Fuseta-Mar, este passadiço terá um pequeno alargamento que funcionará como área de descanso e miradouro sobre a Ria, numa linguagem que, à semelhança do que acontece com os apoios propostos, aproxima as duas intervenções – Fuseta-Ria e Fuseta-Mar.
Estes apoios estão implantados numa zona próxima da frente urbana a poente do parque de campismo, alinhados e próximos da margem da ria em espaços ajardinados.
Têm uma forma retangular uniforme com uma leitura de um único volume opaco interrompido pelo envidraçado do restaurante.
Nos extremos são localizadas, de um lado a cozinha e de outro as casas de banho sendo ao centro o espaço destinado ao restaurante.
A esplanada ocupa uma área junto ao apoio entre este e a margem da ria, em espaço definido pela pergola de sombreamento constituída por uma retícula de madeira apoiada em prumos metálicos.
A implantação dos equipamentos será, para dois equipamentos, sensivelmente Norte/Sul voltando a área de esplanada para Sul e para o outro sudoeste / nordeste, voltando a área de esplanada a sudoeste.
Este apoio é em tudo semelhante aos restantes três apoios simples com equipamento, no entanto, devido à forma da zona disponível para implantação passou a uma forma menos alongada e estreita. A adaptação do programa foi baseada no programa normal para este tipo de clube, que de acordo com as habituais necessidades não difere muito do programa de um apoio com equipamento.
Para esta infraestrutura portuária de acostagem a presente proposta prevê a requalificação que passa por diversas intervenções na infraestrutura existente, na zona de entrada para a ponte no passeio que ladeia o canal e na zona de entrada para a ponte.
As intervenções são as seguintes:
– Beneficiação e requalificação das pontes e dos cais flutuante, incluindo a beneficiação geral.
– Criação de uma bilheteira nova de apoio aos utentes do lado ria.
– Criação de zonas de espera para utentes e equipadas com bancos e pergulas.
A bilheteira será uma estrutura de prumos e travessas de madeira revestida com tabuado de madeira que na parte superior é um ripado horizontal e com uma cobertura de chapa com chapa lacada, mantendo-se a imagem arquitectónica dos restantes apoios da proposta.
A zona de espera contígua à bilheteira e entrada será sombreada por pergula formada por uma reticula preenchida por ripado de madeira, assente em prumos metálicos.
A conservação e recuperação do sistema dunar é uma preocupação transversal a toda a proposta pois o objetivo aqui será sempre a valorização deste espaço – conferindo qualidade à sua vivência e utilização e tirando partido de todas as valências que oferece (beleza natural, valor didático, recreio balnear, entre outras) – enquanto utiliza como base critérios que promovam a preservação do ecossistema por forma a que o equilíbrio ecológico e qualidade ambiental que o caraterizam se mantenham no futuro.
Assim sendo, a intervenção tem como principal objetivo a complementaridade entre o uso recreativo desta frente de praia e a valorização e preservação do ecossistema, sendo prioritário que a ação antrópica sobre ele seja reduzida ao mínimo. Para isso é fundamental a valorização deste espaço através da criação de um percurso, com espaços de estadia associados que garante não só o acesso à praia, mas também a vivência e descoberta deste sistema natural com as diferentes facetas que o caraterizam, chamando a atenção dos utentes para a importância da sua conservação e para o seu valor ecológico e paisagístico.
Ao percorrer todo este espaço, do cais até à praia, destaca-se a necessidade de um ordenamento eficaz do espaço, principalmente ao nível de circulação, que deve ser formalizada para que o pisoteio seja o menor possível, numa zona que é dominada por sistema dunar e que no verão recebe grandes fluxos de população que extravasam o sistema de percursos precariamente definido.
Por forma a cumprir os critérios de ordenamento do espaço defendidos nesta intervenção definiu-se um eixo de circulação pedonal, desde o cais turístico, passando pela praça principal – a Praça do Cais, e ligando, por meio de um passadiço sobre-elevado 0,50m – o Passadiço da Duna, a uma praça-miradouro – a Praça da Praia, de onde partem as rampas e acessos (ao nível do chão) à praia – os Passadiços da Areia. Este eixo principal, formalizado com 3m de largura nas áreas de circulação e constituído pela Praça do Cais, o Passadiço da Duna e a Praça da Praia, constitui o elemento estruturante do espaço fazendo a ligação à zona da praia e permitindo a distribuição do fluxo populacional a partir do cais até aos equipamentos e ao areal.
A solução adotada para as circulações pedonais em estrados de madeira sobrelevados e balizados, contribuirá para a gestão de fluxos, porquanto constituirá uma solução material confortável e facilmente identificável. Contribui-se assim para que os utentes tenham uma menor tendência a sair destes percursos para as áreas de duna adjacentes, conseguindo-se um maior grau de preservação do sistema.
A Praça do Cais constitui o ponto central da intervenção na Fuseta-Mar. Para além de um ponto de passagem obrigatório do cais para a praia, pretende-se que esta seja uma área de paragem e descanso pelo que se promoverá a estadia à sombra de árvores que saem de aberturas no passadiço com a implantação de algum mobiliário para o efeito, útil para quem espera pelo barco ou para quem apenas deseja descansar.
O corpo principal da praça encontra-se sobre-elevado a 0,20m do chão sendo que o sistema de balizamento será garantido através das manchas arbustivas propostas que constituirão obstáculos à circulação fora do perímetro definido pela estrutura da praça. A partir desta plataforma parte uma outra, que se eleva 0,50m do chão, tal como o apoio preconizado para este espaço, e cujo desnível é vencido por meio de degraus e uma rampa.O objetivo desta segunda plataforma é garantir um acesso confortável e desafogado à área de balneários/instalações sanitárias e à zona de esplanada do apoio.
O passadiço da Duna, que parte da Praça do Cais, leva a uma praça – Praça da Praia, que é lançada sobre o areal a uma cota superior ao mesmo, funcionando como um miradouro e distribuindo os diferentes acessos à praia: umas escadas que partem da própria praça e duas passadeiras, uma para nascente e outra no sentido poente, esta última dando acesso também ao apoio de praia mínimo existente.
Ao longo do percurso pedonal, tanto na Praça do Cais como na Praça da Praia, existem pontos de descanso que para além de constituírem agradáveis áreas de estadia sob as árvores, na primeira, ou uma estrutura de ensombramento, na segunda, podem também funcionar como pontos de observação dos diferentes habitats que aqui se encontram e conter painéis informativos sobre os mesmos e as espécies de flora e fauna que aqui existem, chamando a atenção dos utentes da praia e equipamentos associados para a paisagem que os rodeia bem como para o papel fundamental que desempenha no equilíbrio do sistema costeiro e na qualidade do espaço que frequentam.
Toda a praça se desenvolve em torno do edifício, sendo que a fachada principal do mesmo se encontra solta da primeira plataforma (com sobre-elevação de 0,20m), através de uma área plantada que se encontra entre os dois elementos e em que surge uma modelação, evidenciando o material arenoso que aqui se encontra e dissuadindo o percurso no interior desta abertura no passadiço. Esta separação permite a visualização completa e desafogada do edifício por parte de quem vem do cais individualizando-o e destacando-o de toda a estrutura da praça.
Tendo em consideração a estreita ligação entre a Fuseta mar e ria, o desenho arquitetónico é filiado no dos apoios da Fuseta ria seguindo-se os princípios básicos que estiveram na base da sua conceção. Assim, a conceção formal de todo o edificado baseia-se nos mesmos materiais de revestimento e na estrutura funcional.
Com o desenho arquitetónico proposto para a intervenção pretende-se criar uma imagem arquitetónica de qualidade, garantindo a integração visual e Paisagística na área em que se insere, bem como uma imagem arquitetónica baseada em formas e volumes simples, facilmente integráveis no meio envolvente.
Este apoio, tendo em consideração a sua situação e localização, optou-se por uma configuração em L de modo a que as pessoas que saem da praia e pretendem utilizar a área de apoio e balneários fiquem com uma ligação direta da passadeira do percurso praia / cais. O corpo do equipamento ficará perpendicular ao primeiro dos balneários e apoios, ficando mais resguardado da circulação entre a praia e o cais. A esplanada ficará em frente ao equipamento e restauração com abertura visual para a ria e para a praça criada nesta zona.
Todos os apoios embora diferentes, em função da tipologia definida, apresentam uma estrutura baseada no mesmo sistema construtivo e uma conceção baseada nas mesmas soluções na utilização de materiais e soluções de revestimentos e acabamentos.
Esta opção prende-se por um lado com uma questão de unidade pretendida na imagem arquitetónica e por outro com uma questão de facilidade de execução e consequente economia de construção.e acabamento exterior e interior.
Os apoios são estruturados com uma modulação, reticulada, constituída por pilares metálicos e vigas de lamelados colados de madeira onde apoiam vigamentos de madeira, onde por sua vez irão ser fixados os materiais que constituem o revestimento e acabamento exterior e interior.

Em coautoria com PB.ARQ

Promotor:

Sociedade Polis Litoral Ria Formosa

Localização:

Praia da Fuseta – ria e mar – Algarve

Projeto:

Concurso – 2009

Programa:

Plano de requalificação das estruturas de apoio balnear e cais de acesso na praia da Fuseta-ria e Fuseta-mar.

Fuseta-ria

4 equipamentos de restauração com apoio de praia  e um apoio simples.

Cais de acesso

Fuseta-mar

1 equipamento de restauração com apoio de praia  e um apoio mínimo.

Cais de acesso

Equipa:

Arquitetura

– João Cottinelli Telmo Pardal Monteiro – Arquiteto

– Manuel Cottinelli Telmo Pardal Monteiro – Arquiteto

– António Pedro Batista Pardal Monteiro – Arquiteto

– Sónia Machado Mendes – Arquiteta

– Pedro Cunha – Arquiteto

– Maria Russo – Arquiteta estagiária

Paisagismo

– PB.ARQ – Arquitetura Paisagista

Category

CONCURSOS