A preocupação de conseguir um edifício de acordo com a elevada dignidade das atividades nele processadas e a sua projeção social levaram-nos à adoção de um partido que se carateriza por uma certa austeridade, que pensamos conseguir com formas simples reforçadas e animadas por um claro-escuro proporcionado por um jogo de saliências e reentrâncias.
Uma métrica, tanto vertical como horizontal, rege toda a composição, nela se integrando todos os elementos que entram na composição das fachadas, desde a definição dos volumes dos diferentes corpos até ao dimensionamento e posicionamento dos vãos, tanto de janelas como de portas.
De acordo com esta conceção, a entrada principal, sem fugir à métrica reguladora, apresenta-se como um grande vão envidraçado e recuado, com altura correspondente aos dois pisos do edifício, antecipando a presença dos átrios públicos do r/chão e do primeiro andar. Um grande pórtico, desenvolvendo-se paralelamente à fachada principal e contribuindo para a sua caraterização como tal, acrescenta alguma desejável monumentalidade ao conjunto.
A adoção de pedra branca, como único material de revestimento dos paramentos de fachada, além de constituir uma solução que garante a permanência do bom aspeto do edifício, contribui para reforçar a impressão de dignidade pretendida.
Idêntico critério se estende ao interior do edifício, com especial incidência nos dois átrios, cuja interligação com o exterior se considera importante.
Esta importante sala, pelas funções que lhe cabem, por um lado, e pelas suas dimensões e caraterísticas, por outro, impõe-se como a mais importante peça do imóvel, o que, obviamente, levou a um especial cuidado posto no seu tratamento.
A disposição e posicionamento relativo dos vários intervenientes nas sessões que nela têm lugar obedecem escrupulosamente ao programaticamente definido.
A escolha, localização e configuração dos materiais de revestimento mereceu atenção especial porquanto se pretendeu que estes, a par de uma boa resistência ao uso e durabilidade, contribuíssem para conferir à sala a dignidade necessária. Em obediência a este critério e tendo em atenção os aspetos relacionados com a obtenção de boas condições acústicas, optou-se pelo emprego de madeiras nobres e mármores.
O problema da iluminação natural foi resolvido por recurso a iluminação zenital. Para a sala em geral, a luz jorra de um conjunto de claraboias integradas em cones de dispersão encimados por coberturas translúcidas de material difusor; ao nível do teto suspenso outros elementos igualmente translúcidos e difusores proporcionam uma iluminação bastante uniforme da sala. A presidência recebe uma maior quantidade de luz, relativamente à restante sala, mercê da presença de dispositivo idêntico aos anteriores, de configuração retilínea, desenvolvendo-se ao longo de toda a extensão da parede de fundo, iluminação esta reforçada pela luz proporcionada pelas janelas laterais, estreitas e com grande desenvolvimento vertical. Deste modo, conseguiu-se que a mais importante zona da sala disponha de uma iluminação reforçada, sem que, contudo, se verifiquem fenómenos de encadeamento.
Dono de Obra:
Ministério da Justiça
Localização:
Mação
Distrito de Santarém
Área de Construção:
1.800m²
Projeto:
1991/1992
Conclusão da Obra:
1993
Programa:
Edifício destinado a alojar as instalações do Tribunal Judicial, Registo Civil, Registo Predial e Cartório Notarial.
Equipa:
Arquitetura
– João Cottinelli Telmo Pardal Monteiro – Arquiteto
– Manuel Cottinelli Telmo Pardal Monteiro – Arquiteto
– António Pedro Batista Pardal Monteiro – Arquiteto
– Amadeu Lourenço
– João Sobral Otero
– Rodrigo Moutinho
Fundações e Estrutura
– Paulo Reis – Engenheiro
Instalações e Equipamentos Mecânicos
– Marobal
Instalação e Equipamentos de Águas e Esgotos
– Carlos Palma – Engenheiro
Instalação e Equipamentos Elétricos e de Telecomunicações
– Marobal
